O Brasil acaba de dar um passo histórico no enfrentamento da dengue, zika e chikungunya. Foi inaugurada em Curitiba (PR) a maior biofábrica de mosquitos do mundo, a Wolbito do Brasil, fruto de uma parceria entre o Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP) e o World Mosquito Program (WMP).
A unidade tem capacidade para produzir até 100 milhões de ovos de mosquitos Aedes aegypti por semana, todos inoculados com a bactéria Wolbachia, que impede a transmissão dos vírus causadores das arboviroses.
Como funcionam os “mosquitos do bem”?
A técnica, considerada segura e sustentável, consiste em introduzir a bactéria Wolbachia no Aedes aegypti. Quando liberados no ambiente, esses mosquitos cruzam com os que já existem na natureza, transmitindo a bactéria para as futuras gerações.
O resultado? Os mosquitos passam a perder a capacidade de transmitir doenças.
Vale destacar que a Wolbachia não altera o DNA do mosquito e já está presente em cerca de 60% das espécies de insetos no mundo.
Impacto no controle das doenças
Os testes no Brasil começaram em 2014, em áreas do Rio de Janeiro e de Niterói, e apresentaram resultados promissores. Estudos da Fiocruz apontaram reduções de até 96% nos casos de dengue nas regiões onde a técnica foi aplicada.
Agora, com a biofábrica, a expectativa é ampliar a escala e atender cidades com altos índices de transmissão, atuando de forma complementar a outras estratégias, como eliminação de criadouros e uso de larvicidas.
Uma estratégia global
A técnica com mosquitos Wolbachia já está presente em 14 países e é considerada uma das grandes apostas da ciência contra epidemias de arboviroses. Para o Brasil, que enfrenta surtos recorrentes de dengue e outros vírus transmitidos pelo Aedes aegypti, a nova biofábrica representa um avanço significativo na saúde pública.
Por que essa iniciativa é importante?
Nos últimos anos, o Brasil tem registrado crescimento expressivo nos casos de dengue, com milhões de notificações anuais e sobrecarga no sistema de saúde. A produção em larga escala de mosquitos do bem fortalece o arsenal de combate às arboviroses, oferecendo uma alternativa inovadora, sustentável e eficiente para reduzir a transmissão.
Além disso, trata-se de uma ação que depende também da colaboração da população, seja eliminando criadouros, aderindo às campanhas e compreendendo que esses mosquitos representam aliados no controle das doenças.
Conclusão
A inauguração da maior biofábrica de mosquitos do mundo no Brasil é um marco para a ciência e para a saúde pública. Com a Wolbachia, temos a chance de reduzir de forma drástica o impacto da dengue, zika e chikungunya, salvando vidas e fortalecendo o Sistema Único de Saúde (SUS).
Os mosquitos do bem chegam para mostrar que inovação e ciência caminham juntas no combate às epidemias que tanto afetam a população brasileira.

