Na última sexta-feira, o Brasil deu um passo histórico na luta contra o diabetes: o país retomou a produção 100% nacional de insulina após duas décadas. A conquista é fruto de uma parceria entre a farmacêutica indiana Wockhardt, a empresa brasileira Biomm e o laboratório público Fundação Ezequiel Dias (Funed), marcando uma nova era para o Sistema Único de Saúde (SUS) e para os milhões de brasileiros que dependem do medicamento diariamente.
Foram entregues 207.385 unidades do medicamento, sendo 67.317 frascos de insulina regular e 140.068 de insulina NPH, fabricadas na planta da Biomm, em Nova Lima, Minas Gerais. Com a transferência de tecnologia concluída, o país terá capacidade para atender 50% da demanda das insulinas ofertadas pelo SUS — o que representa aproximadamente 45 milhões de doses por ano.
Essa retomada não representa apenas um feito tecnológico ou logístico: é uma resposta concreta a um cenário de instabilidade global e escassez que afetou diretamente os estoques do medicamento nos últimos dois anos. Estima-se que 10% da população brasileira viva com diabetes, e, para muitos desses pacientes, a insulina é um insumo vital, usado diariamente para o controle da doença.
A história da insulina: um marco para a medicina
A descoberta da insulina em 1921 revolucionou a medicina moderna. Até então, o diagnóstico de diabetes tipo 1 era praticamente uma sentença de morte. Com a introdução do hormônio no tratamento, pacientes passaram a ter uma vida mais longa e saudável. Desde então, a produção mundial de insulina se expandiu, mas também se concentrou nas mãos de poucas farmacêuticas, criando dependência e vulnerabilidades para países como o Brasil.
Ter uma produção nacional de insulina, portanto, não é apenas estratégico: é essencial. Representa autonomia, controle de custos, e sobretudo, garantia de acesso a um medicamento que salva vidas.
O futuro da produção nacional
Além das insulinas regular e NPH, o Ministério da Saúde já aprovou uma nova Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP) visando a produção da insulina glargina — uma versão de longa duração usada principalmente em tratamentos mais recentes. A parceria reúne Bio-Manguinhos (Fiocruz), Biomm e a farmacêutica chinesa Gan & Lee, com expectativa de produzir 20 milhões de frascos, ampliando ainda mais a oferta para o SUS.
Com um investimento de R$ 142 milhões na aquisição da tecnologia, o Brasil reafirma seu compromisso com a saúde pública, garantindo segurança e continuidade no tratamento dos pacientes.
Um dia histórico para a saúde pública
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, classificou o momento como “histórico”, destacando que a medida garante aos pacientes a tranquilidade de saber que, mesmo diante de crises como a vivida durante a pandemia, o país está preparado para manter o fornecimento de insulina de forma soberana.
A retomada da produção nacional de insulina é mais do que uma vitória técnica: é um símbolo da força do SUS e do poder da ciência brasileira em benefício da vida.

