Introdução:
A febre amarela voltou a preocupar autoridades sanitárias no Brasil e em países vizinhos. Com o aumento de casos em áreas urbanas e a queda na cobertura vacinal, o risco de novos surtos — inclusive em grandes cidades — se torna cada vez mais real. Mas o que está por trás desse cenário? E como a vacinação pode evitar uma nova tragédia de saúde pública?
1. O que é a febre amarela?
A febre amarela é uma doença viral aguda, transmitida por mosquitos. No ambiente silvestre, os principais vetores são mosquitos como o Haemagogus e o Sabethes. Já em ambientes urbanos, a ameaça é o conhecido Aedes aegypti, o mesmo da dengue e zika.
Os sintomas variam de febre leve a quadros graves com icterícia (amarelamento da pele), hemorragias e até morte. E o mais grave: não há tratamento específico — apenas suporte clínico.
2. Por que os casos estão aumentando?
Segundo a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), os casos de febre amarela cresceram drasticamente em 2025:
- 221 casos confirmados até maio em 5 países.
- 89 mortes, sendo 44 no Brasil.
- O Estado de São Paulo concentrou 55 casos, com 31 mortes.
Esse avanço preocupa, especialmente porque as cidades já têm o mosquito transmissor e condições climáticas propícias para sua proliferação. O último registro de febre amarela urbana no Brasil foi em 1942, mas o risco de retorno é real.
3. A baixa cobertura vacinal é um alerta vermelho
A vacina contra a febre amarela é de dose única e protege por toda a vida. Desde 2020, ela é recomendada para todos os brasileiros até 59 anos. Ainda assim, a cobertura vacinal vem caindo:
- Em 2023, a taxa nacional foi de apenas 70%.
- Em 2024, caiu para 73%.
- Em crianças menores de 1 ano, a cobertura ficou abaixo de 80% na maioria dos estados.
Sem vacina, não há proteção em massa. E o vírus encontra espaço para circular.
4. A ameaça do ciclo urbano
O ciclo silvestre da febre amarela tem nos macacos um importante alerta epidemiológico — eles adoecem antes dos humanos. No entanto, quando o vírus alcança as cidades, o cenário muda.
Um estudo recente encontrou mosquitos infectados nos arredores de Manaus, próximo a áreas urbanas. Isso mostra o risco real da transição do vírus para o ambiente urbano, onde o controle se torna muito mais difícil.
5. Vacinar é a solução — e o momento é agora
O Brasil possui vacinas eficazes, tanto na rede pública quanto na privada. Mas a produção é limitada. Em surtos anteriores, como o de 2017, foi necessário fracionar doses devido à escassez.
Precisamos agir antes de enfrentar novamente esse cenário.
A recomendação é clara: vacinar, controlar vetores urbanos e manter vigilância ativa nas áreas de risco.
Conclusão:
A febre amarela é uma doença grave, com alta taxa de mortalidade. Não há motivo para esperar o pior. Com campanhas eficazes de vacinação e controle do mosquito, podemos impedir que o vírus escape da mata e retorne às cidades. O risco existe — mas temos as ferramentas para enfrentá-lo.
Vacinar salva vidas. Deixar para depois pode custar muito caro.

